AECOPS - Associação de Empresas de <br>Construção e Obras Públicas

 
Metro já tem nova administração  
09/10/2003
 
Carlos Mineiro Alves vai substituir Manuel Frasquilho na presidência do conselho de administração do Metropolitano de Lisboa (ML), segundo indigitação do Ministério das Obras Públicas no início deste mês.
O novo presidente do ML, que até agora exercia o cargo de presidente do conselho de administração da Simtejo-Sistema Multimunicipal de Saneamento do Tejo e Trancão, será acompanhado nas suas novas funções por Luís Oliveira Gama Prazeres, Arnaldo Pimentel, o único membro da anterior administração a permanecer no cargo, José Maria Franco O¿Neil e Pedro Pinto, o último elemento posteriormente nomeado pela autarquia lisboeta. O atraso desta nomeação ilustra bem as dificuldades com que a tutela se tem deparado no sentido de render a actual administração da transportadora, uma vez que Manuel Frasquilho terminou o seu mandato no passado dia 31 de de Agosto. Mesmo assim, este continua a exercer as funções de presidente do Metropolitano de Lisboa, não se sabendo até quando. É que a nomeação de Pedro Pinto, que transita da administração do Mercado Abastecedor de Lisboa, terá ainda de ser submetida à apreciação da Comissão de Trabalhadores do metro e do Conselho de Ministros.
Note-se que esta é a segunda proposta do Ministério para substituir o actual conselho de administração liderado por Manuel Frasquilho. Em meados de Agosto, a tutela indigitou o actual bastonário da Ordem dos Engenheiros, Francisco Sousa Soares, para o cargo, mas este declinou o convite, justificando "não estarem reunidas as condições" para o aceitar.
Antes de ocupar a presidência da Simtejo, empresa do grupo Águas de Portugal responsável pela recolha e tratamento de efluentes dos municípios de Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora, Mafra e Odivelas, Mineiro Aires ocupou o mesmo cargo por dois anos e meio no Instituto da Água, entidade onde foi anteriormente vice-presidente por cinco anos.

Frasquilho sai "orgulhoso"

Em vésperas de abandonar o cargo, Manuel Frasquilho efectuou um balanço da sua administração e deixou alguns alertas direccionados, naturalmente, quer à nova equipa quer à tutela. Designadamente, o presidente cessante do ML advertiu que "a Área Metropolitana de Lisboa - tal como a do Porto - tem um prazo de cinco anos para criar uma rede de transportes eficaz", que convença as pessoas a abandonar os veículos particulares.
Por outro lado, este responsável afirma sair com "o sentimento de missão cumprida e orgulhoso por ter deixado a casa arrumada e tudo encaminhado para se criar uma verdadeira rede de metro e de transportes públicos", nomeadamente com "o projecto desenvolvido em parceria com a Carris e a Câmara de Lisboa para o Metro Ligeiro de Superfície", que estabelecerá a ligação entre todos os modos de transporte.
No mesmo sentido, considera "fundamental que a ligação do Oriente ao Aeroporto não fique por aí. Deve-se desconectar a linha verde entre o Campo Grande e Alvalade, para aí fazer a ligação ao aeroporto e estendê-la até à Alta de Lisboa". Sobre esta urbanização, que segundo as previsões irá ter cerca de 60 mil residentes, Manuel Frasquilho referiu que as conversações em curso entre a autarquia e a SGAL, no sentido desta última "co-fianciar a chegada do metro à Alta de Lisboa", se encontram, na sua opinião, "bem encaminhadas nesse sentido". O ainda presidente do ML reconhece que, durante o seu mandato, "a situação mais complicada foi a do Terreiro do Paço, que nos fez perder muito tempo". Após um longo processo de críticas e polémicas, uma comissão de inquérito e diversas vistorias e estudos técnicos, Manuel Frasquilho garante, contudo, que a obra "tem segurança" e que o troço estará pronto a funcionar até ao final do ano que vem.
Financeiramente, o presidente cessante realçou que nos últimos três anos "conseguiu reduzir consideravelmente os custos sem despedimentos" e que lhe bastariam apenas mais 12 meses para deixar todos os processos concretizados.